Sob o governo de Bashar al-Assad, a Síria realizava uma produção em escala industrial do estimulante captagon; desde a queda do ex-presidente, 15 laboratórios foram desmontados; comprimidos com anfetaminas e outros aditivos tem sido usado por combatentes para aumentar desempenho em campos de batalha.
O mercado da droga sintética conhecida como captagon mudou drasticamente desde Dezembro de 2024, com a interrupção da fabricação em escala industrial na Síria, após a queda do regime do ex-presidente Bashar al-Assad.
De acordo com um novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, o actual governo sírio desmontou 15 laboratórios industriais e 13 instalações de armazenamento.
No entanto, a agência da ONU alerta que a fabricação da substância ilícita provavelmente continua em outros países do Oriente Médio e parte do que era produzido na Síria pode estar a ser transferido para o continente africano.
O captagon é um estimulante vendido com o nome comercial de um antigo medicamento que continha fenetilina. Os comprimidos geralmente são uma combinação de anfetamina e cafeína, podendo conter ainda outros aditivos como teofilina, quinina e paracetamol.
A droga é considerada altamente viciante e tornou-se popular nos campos de batalha, pois ajuda os combatentes manterem-se activos e com energia, mas os usuários rapidamente se tornam dependentes e desenvolvem problemas físicos e mentais.
Entre Janeiro de 2019 e Novembro de 2025, mais de 80% das apreensões de captagon registradas na região árabe indicaram a Síria como o país de origem.
Segundo o Unodc, grandes apreensões realizadas ao longo de 2025, tanto em território sírio como em carregamentos que saíram de lá, indicam que as reservas remanescentes podem sustentar o abastecimento por alguns anos, caso não sejam interceptados. Estima-se que o país produzia milhões de comprimidos por dia.
O estudo revela que sob o regime de Bashar al-Assad, produtos químicos eram importados em grandes quantidades para a Síria para a produção de captagon por meio de sistemas comerciais governamentais.
Com a rápida diminuição da oferta da droga na região desde Dezembro de 2024, existe o risco de aumento do consumo de metanfetamina, uma substância semelhante à anfetamina contida no captagon, mas com maiores riscos à saúde.
O Unodc alerta que impacto do tráfico de drogas sintéticas nos países árabes afecta tanto a segurança quanto a saúde pública.
A agência da ONU ressalta que magnitude das receitas envolvidas levanta preocupações com estabilidade, fortalecimento de grupos criminosos ou armados e consolidação das economias ilícitas.
Investigações recentes indicam a possível circulação de um novo tipo de captagon proveniente do sudoeste da Ásia, reforçando a hipótese de que as técnicas e os locais de produção continuam evoluindo.
O director de operações do Unodc, Bo Mathiasen, afirmou que embora o mercado de drogas se tenha expandido nos últimos anos, e divido a região árabe, “a necessidade de acção agora está unindo”.
Ele adicionou que “os países estão colaborando, compartilhando inteligência e conduzindo operações conjuntas, levando a apreensões recordes em 2025.”
Para o representante do Unodc, isso demonstra que a vontade política e a cooperação internacional podem enfrentar até mesmo as economias criminosas ilícitas mais complexas.


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